ANA ELISA, ELEITA EM MINAS GERAIS COM MAIS DE 524 MIL VOTOS, ENTROU NA EQUIPE DIGITAL DA CAMPANHA DE LULA E AGORA TEM PUBLICAÇÕES ANTIGAS SOBRE IGREJAS, ABORTO E RELIGIÃO RESGATADAS NAS REDES
A campanha eleitoral de 2026 entrou definitivamente no território da guerra digital. Em meio à disputa pelo segundo turno, antigas manifestações atribuídas à deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva, do PT de Minas Gerais, voltaram a circular intensamente nas redes sociais justamente depois de ela passar a participar da estratégia digital da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva.
Ana Elisa tem 21 anos e recebeu 524.219 votos, tornando-se a segunda candidata mais votada para a Câmara dos Deputados em Minas Gerais. Sua projeção nas redes fez com que ela fosse incorporada à comunicação da campanha petista no segundo turno. Estado de Minas
A partir daí, parlamentares e perfis de oposição passaram a resgatar publicações antigas atribuídas à conta da petista no X. Entre os assuntos que aparecem nesse material estão igrejas, evangélicos, aborto, padres, Vaticano, bancada evangélica e posições políticas contra setores da direita.
Uma das imagens que mais viralizou atribui a Ana Elisa uma publicação de 2022 na qual ela teria defendido que Lula fechasse igrejas. Nesse caso específico, a própria deputada eleita nega a autoria e afirma que a imagem é falsa. Portanto, a acusação não deve ser apresentada como fato definitivamente comprovado. Estado de Minas
O cenário muda quando se observam outros conteúdos atribuídos à antiga conta. Reportagens publicadas nesta sexta-feira recuperaram manifestações relacionadas à religião e ao aborto que teriam sido publicadas em diferentes momentos, inclusive depois de Ana Elisa atingir a maioridade. Entre elas está uma postagem de 2026 questionando a isenção tributária concedida a igrejas evangélicas e outra manifestação envolvendo a discussão sobre aborto. Bnews
Também foram divulgadas mensagens atribuídas à parlamentar nas quais ela critica a presença de padres nas redes sociais e faz comentários contundentes sobre a bancada evangélica. A autenticidade de cada publicação precisa ser analisada individualmente, especialmente porque parte do material que circula nas redes é formada por capturas de tela sem acesso ao conteúdo original. Lavras 24 Horas
O episódio ganhou dimensão ainda maior porque Ana Elisa passou a atuar justamente na comunicação de uma campanha presidencial que tenta disputar o eleitorado indeciso e ampliar sua presença entre diferentes segmentos sociais.
A deputada eleita afirma que está sendo vítima de uma campanha de desinformação e informou que pretende levar o caso ao Tribunal Superior Eleitoral. Sua conta no X foi posteriormente desativada, segundo relatos publicados nesta sexta-feira, em meio à repercussão e às ameaças que ela afirma ter recebido. Bnews
O ponto central da discussão, portanto, não é simplesmente escolher um lado na guerra eleitoral. É separar aquilo que efetivamente saiu de uma conta daquilo que foi fabricado, adulterado ou retirado de contexto.
Em uma eleição presidencial marcada pela velocidade das redes sociais, uma publicação antiga pode ressurgir anos depois e adquirir um peso político completamente diferente. Para o eleitor, a melhor resposta é conferir a origem, a data, o contexto e a autenticidade de cada conteúdo antes de transformar uma captura de tela em verdade absoluta.
ROBERTÃO CHAPA QUENTE acompanha a guerra de informações das eleições de 2026 e mostra os fatos que estão por trás da disputa política.
