Cantor, compositor e pianista enfrentava um câncer e morreu neste domingo (18), em São Paulo. Dono de um estilo inconfundível, ele transformou o piano em marca registrada e deixou canções que atravessaram gerações.
A música popular brasileira perde um de seus artistas mais singulares. Benito Di Paula morreu neste domingo, 18 de outubro de 2026, aos 84 anos, no Hospital 9 de Julho, em São Paulo, em decorrência de complicações de um câncer. A notícia marca o fim de uma trajetória que ajudou a escrever capítulos importantes da história do samba e da música romântica brasileira.
Nascido Uday Vellozo, em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, Benito conquistou o país especialmente durante a década de 1970. Com voz marcante, interpretação intensa e um piano tocado de maneira percussiva, desenvolveu uma identidade musical própria, aproximando o samba de arranjos românticos e sonoridades populares.
Não era apenas mais um intérprete no cenário musical. Benito construiu uma assinatura artística reconhecível desde as primeiras notas. Seu jeito de tocar, cantar e se apresentar transformou suas músicas em parte da memória afetiva de milhões de brasileiros.
CANÇÕES QUE ENTRARAM PARA A HISTÓRIA
Entre os maiores sucessos de sua carreira estão “Retalhos de Cetim”, “Charlie Brown”, “Vai Ficar na Saudade”, “Tudo Está no Seu Lugar” e “Assobiar e Chupar Cana”. Canções que conquistaram o público, atravessaram décadas e continuaram presentes em rádios, encontros familiares e rodas de música.
O período entre 1973 e 1977 foi especialmente importante para a consolidação de seu sucesso nacional. Enquanto o samba mantinha suas raízes tradicionais, Benito explorava novas combinações musicais, conquistando espaço com uma linguagem que fugia dos padrões mais convencionais do gênero.
Ele próprio gostava de se definir como “sambeiro” e “pianeiro”, expressões que resumiam sua maneira particular de compreender e apresentar a música.
UM ARTISTA QUE TRANSFORMOU ESTILO EM IDENTIDADE
Os anéis, colares, casacas e cabelos longos também ajudaram a compor a imagem pública do cantor. Suas apresentações e participações na televisão reforçaram uma personalidade artística que não passava despercebida.
Mas a força de Benito Di Paula nunca esteve restrita à aparência. Estava sobretudo na música, na capacidade de emocionar e na maneira de estabelecer uma ligação direta com o público.
Mesmo depois do auge comercial, o artista continuou produzindo e lançando trabalhos. Em 2017, apresentou o álbum “A Felicidade é Nossa”. Em 2021, lançou “O Infalível Zen”, projeto associado à celebração de seus 80 anos, demonstrando que sua relação com a música permanecia ativa.
UM LEGADO QUE NÃO SE APAGA
A morte de Benito Di Paula representa uma perda significativa para a cultura brasileira. Sua obra ajudou a ampliar as possibilidades do samba, aproximando diferentes públicos e mostrando que tradição e inovação poderiam caminhar juntas.
O artista deixa um repertório que permanece vivo na voz de seus admiradores e na história da música nacional. Suas canções não pertencem apenas à época em que foram lançadas: continuam sendo lembradas, cantadas e redescobertas por novas gerações.
Quando um artista constrói uma identidade tão própria, sua despedida não encerra sua história. A voz pode silenciar, mas a obra permanece.
O Brasil se despede de Benito Di Paula. A música brasileira, porém, continuará ouvindo o som de seu piano.
ROBERTÃO CHAPA QUENTE ACOMPANHA OS PRINCIPAIS ASSUNTOS DE INTERESSE DA POPULAÇÃO.
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