Por Robertão Chapa Quente | Jornalismo investigativo e de interesse público
Em minhas andanças em busca de pautas que revelem situações que merecem atenção da sociedade, deparei-me com uma prática que levanta uma questão importante sobre higiene, prevenção de infecções e segurança dos pacientes em locais onde são realizados exames de fundo de olho.
O procedimento costuma começar antes mesmo da consulta. O paciente chega com cerca de 20 minutos de antecedência, pois é necessário aplicar um colírio para dilatar as pupilas e permitir a realização adequada do exame. Até aí, tudo faz parte da rotina oftalmológica.
O problema que observei foi outro: a mesma profissional aplicava o colírio em vários pacientes, aparentemente sem higienizar as mãos entre um atendimento e outro. Na prática observada, a atendente passava de um paciente para o seguinte, repetindo o procedimento em diferentes pessoas.
Essa situação merece ser apurada. As mãos dos profissionais de saúde podem funcionar como veículo de transmissão de microrganismos quando não são higienizadas adequadamente. Além disso, o contato da ponta do frasco com os olhos, as pálpebras ou outras superfícies pode provocar contaminação do produto e aumentar os riscos para os pacientes.
É importante fazer uma distinção: observar uma aplicação de colírio sem higienização aparente não permite afirmar que houve transmissão de uma doença ou que todos os pacientes foram contaminados. Entretanto, a ausência de medidas adequadas de higiene representa uma preocupação legítima e precisa ser esclarecida pelos responsáveis pelo serviço.
UM PROCEDIMENTO ROTINEIRO NÃO PODE DEIXAR A SEGURANÇA EM SEGUNDO PLANO
A aplicação de colírios exige cuidados específicos para evitar contaminação cruzada. A higienização das mãos nos momentos indicados, o uso correto do frasco e a prevenção do contato da ponta do aplicador com os olhos ou outras superfícies são medidas fundamentais de segurança.
Diante dessa situação, fica uma pergunta que precisa ser respondida: quais protocolos de prevenção e controle de infecções estão sendo adotados nos locais que realizam exames oftalmológicos? A equipe recebe treinamento periódico? A higienização das mãos é realizada entre os atendimentos? Como é garantida a utilização segura dos frascos de colírio?
Não se trata de acusar antecipadamente um profissional ou estabelecimento, mas de chamar a atenção para uma questão que envolve a saúde de muitas pessoas. O objetivo é estimular a verificação dos procedimentos, a correção de eventuais falhas e a adoção de medidas preventivas sempre que necessário.
NOSSA PROPOSTA: AVALIAR, FISCALIZAR E CORRIGIR.
Os responsáveis pelos serviços de oftalmologia, as direções das unidades de saúde e as autoridades sanitárias devem avaliar os protocolos utilizados e verificar se as normas de higiene estão sendo cumpridas. Caso sejam identificadas falhas, é fundamental que sejam corrigidas, com orientação e capacitação das equipes.
A saúde dos pacientes precisa estar sempre em primeiro lugar. Um procedimento realizado diariamente não deve ser tratado como algo automático a ponto de deixar de lado cuidados básicos de prevenção.
Levo este tema ao debate público porque acredito que o jornalismo também tem a função de observar, questionar e contribuir para melhorias nos serviços oferecidos à população.
Você já presenciou uma situação semelhante durante um exame oftalmológico? Relate sua experiência com responsabilidade, sem expor dados pessoais de pacientes ou profissionais.
ROBERTÃO CHAPA QUENTE
Jornalista — Jornalismo de interesse público.
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